My Life As a Blood Sucking (MLABS) - Capítulo 3
O veneno do vampiro invadiu-me o corpo assim que os seus dentes perfuraram a minha pele. Um veneno escaldante que me queimava por dentro, sentia-me a arder. E teria confirmado se não estava mesmo a arder se não fosse a mão do vampiro que me segurava o pescoço com uma força que nunca poderia ser humana. Aquele gesto doía, o que tornava o fogo que me consumia mais insuportável ainda.
Mergulhada nestes meus pensamentos com aquela dor, pareciam ter passado horas, mas quando voltei à realidade apercebi-me que tinham passado apenas segundos.
Até que as minhas pernas cederam e caí de joelhos. Este gesto apanhou o vampiro desprevenido.
Aproveitei o facto de o ter apanhado desprevenido para abrir os olhos e olhar para o meu irmão que estava parado ao meu lado, e assim que abri os olhos ele levantou-se de um salto. Alguma coisa em mim estava a mudar, e eu não sabia muito bem o que era mas assustava o meu irmão e estava a assustar-me a mim também.
- Saí daqui enquanto podes, rapazinho. – disse o vampiro (é estranho tratá-lo sempre por vampiro, mas entre vampiro e monstro...não interessa) com ar ameaçador na direcção do meu irmãozinho.
- Saí, David! Corre para longe! Salva-te, por favor! – eu amava-o acima de tudo, e se tinha de dar a minha vida por ele, eu ia fazê-lo.
O meu irmão ainda hesitou, mas percebeu a tempo que o perigo estava ali e fugiu a correr. E o vampiro não correu atrás dele como eu esperava, voltou a concentrar-se no meu sangue e não se controlou mais. Levantou-me do chão e voltou a beber do meu sangue.
Eu sabia o que se seguia, ele ia beber até eu cair morta sem pinga de sangue no corpo. Lindo.
Passaram-se segundos, até que ouvi passos à distância, podia ser a minha salvação ou podia ser a minha tragédia final, dependendo de quem fosse.
O vampiro levantou a cabeça e farejou como um cão.
Largou-me o pescoço e empurrou-me contra a parede do beco sem saída.
- Quem está aí? – ouviu-se numa voz ao longe que eu não conhecia, era rouca e não era super melódica e perfeita. Humano, com certeza.
Uma coisa era igual aos livros: os vampiros mantinham-se em segredo. Eu esperava que ele pegasse em mim e me levasse para acabar o que começara, mas não, o suposto humano apanhou-o tão desprevenido que ele, com um simples salto, voltou para o cimo dos prédios de onde viera.
E eu ali fiquei, não morta o suficiente, mas suficientemente envenenada para morrer por dentro e transformar-me em algo monstruoso como vira naquela noite: vampira.
O humano espreitou da rua para o beco onde eu me encontrava, mas, propositadamente ou não, o vampiro tinha-me empurrado contra o canto mais escuro daquele sítio asqueroso e o humano não me viu.
Achava impossível mesmo não me verem, o fogo que me consumia por dentro parecia sair do meu coração e alastrar-se pelas paredes.
Tinha tanta coisa na cabeça, tantas perguntas e tão poucas respostas. O meu coração ardia ao mesmo ritmo que a minha cabeça latejava de dor, sofrimento e preocupação... preocupação pelo que iria acontecer a seguir, preocupação pelo meu irmãozinho, para onde iria ele agora? Estava completamente sozinho no mundo, já que o pai é um monstro e a única irmã estava a caminhar para ser um monstro ainda pior.
(...)
Acho que tinham passado uns dois dias, apesar de a dor fazer parecer que passaram anos.
Mas essa dor que me consomia foi diminuindo ao longo dos dias, até que senti o último bater do meu coração agora congelado. Agora todo o fogo que me deixava a arder por dentro, estava limitado pelas paredes do meu coração.
Sentia tudo à minha volta como nunca tinha sentido. O meu olfacto e audição estavas mais apurados do que alguma vez tiveram na forma humana. Tinha que encarar as coisas, deixara de ser humana ao mesmo tempo que o coração parou de bater, para guardar o fogo e a sede que ia passar a ser a minha nova vida, sede de sangue que já sentia.
Conseguia sentir o cheiro a esgoto que pairava naquele beco, mas não como o fazia quando era humana. Era tudo muito diferente. Ouvia o que as pessoas diziam dentro dos prédios mais altos, os carros a passar na estrada principal que era umas ruas dali.
Não sabia à quando tempo estava imóvel pelo fogo. Queria mexer-me para ver como era agora, abrir os olhos.
Fiquei cinco minutos a ponderar se havia de os abrir ou não. Até que decidi. Não poderia ficar de olhos fechados para sempre, apesar de como vampira não ser difícil manter-me imóvel durante anos.
Quando abri os olhos tive três opiniões tão diferentes: espantoso, sinistro mas ao mesmo tempo maravilhoso. Tudo à minha volta era nítido, melhor do que quando se clicava em “focar” uma fotografia num daqueles programas de top 10 dos melhores downloads.
Levantei-me. Queria experimentar tudo de novo no meu corpo. Antes sequer de ter tomado a decisão de me levantar já estava de pé, com uma agilidade e flexibilidade muito além do possível.
Estava muito concentrada em tudo de novo e na maneira como passara a ver as coisas à minha volta, mas a sede de sangue que me invadia não amainou.
E ficou deveras pior quando ouvi passos aproximarem-se de mim e senti um cheiro demasiado apetitoso, demasiado irresistível que só podia ser humano.
Tentei, juro que sim. Mas não me consegui controlar. Saltei graciosamente quando era suposto apenas andar e aterrei junto ao humano. Era um rapaz nos seus 21 anos de idade, lindo e bem constituído, o seu cheiro era forte e apetitoso. Olhava-me com olhos de medo, deu-me pena mas os meus instintos vampíricos foram mais fortes e atraquei-me ao pescoço dele. Bebi-lhe todo o sangue. Estava satisfeita, por agora.
Arrependi-me do que fizera, não o posso negar, mas foi muito bom. A realidade estava presente e era impossível negar. Eu sou uma vampira, e estou a gostar.
Joanna,
Tão Lindo *-* Continua sim?
ResponderExcluirclaro que sim, és um amor melhoramiga :3
ResponderExcluire tu continua com MagicBlood, melhor coisa do mundo :c